No mundo · Empreender · 27 de janeiro de 2025
Pebble: a marca de relógios que fechou e voltou
A Pebble encerrou as operações em 2016. Em 2025, o Google abriu o código, o fundador recuperou a marca e os relógios voltaram. O que a volta ensina.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
A Pebble, marca de relógios inteligentes que vendeu mais de 2 milhões de aparelhos e encerrou as operações em 2016, voltou. Em janeiro de 2025, o Google abriu a maior parte do código do sistema dos relógios. Em maio, o fundador original, Eric Migicovsky, lançou novos modelos por uma empresa nova, a Core Devices. Em julho, recuperou o nome Pebble. Em 2026, os relógios entraram em produção e começaram a chegar aos clientes. É uma das voltas mais claras de uma marca que muita gente dava como encerrada.
O que aconteceu
A Pebble nasceu de campanhas de financiamento coletivo no Kickstarter. Segundo o Google, a primeira foi a mais financiada da plataforma na época, e a do Pebble Time, a segunda maior. Em quatro anos, a empresa vendeu mais de 2 milhões de relógios. Em 2016, encerrou as operações, quando a Fitbit comprou a empresa e a propriedade intelectual dela. Depois, o Google comprou a Fitbit, e o sistema dos relógios, o PebbleOS, passou a ser dele.
Os relógios não morreram de vez. Um grupo de voluntários, o projeto Rebble, manteve os aparelhos antigos funcionando. A volta veio em etapas:
- 27 de janeiro de 2025: o Google publicou a maior parte do código-fonte do PebbleOS. O próprio Google avisou que partes proprietárias, como o suporte ao chip e o Bluetooth, ficaram de fora;
- maio de 2025: a Core Devices, de Eric Migicovsky, apresentou novos relógios baseados nesse sistema;
- julho de 2025: a marca Pebble foi recuperada, segundo o The Verge;
- 24 de março de 2026: o Pebble Time 2 entrou em produção em massa, segundo o blog da empresa;
- 30 de setembro de 2026: o Pebble Round 2 começou a ser entregue.
Por que importa
A história mostra que uma marca encerrada nem sempre está perdida. Três coisas sustentaram a volta. A primeira foi a comunidade: os usuários que mantiveram os relógios vivos por anos provaram que havia demanda. A segunda foi o código aberto, que tirou do caminho o obstáculo de reconstruir tudo do zero. A terceira foi o fundador que não largou a ideia e voltou para buscá-la quase uma década depois.
Para quem empreende, há uma lição prática. O fechamento de uma empresa não apaga o que ela construiu: clientes, reputação, conhecimento técnico e uma ideia que ainda faz sentido podem ser o ponto de partida da próxima tentativa. Nada disso garante sucesso na segunda vez. A nova Pebble ainda precisa provar que o negócio para em pé, e o mercado de relógios inteligentes é dominado por empresas muito maiores.
Na visão de Bairo
Para Bairo Leandro Gonzalez Martinez, a volta da Pebble é a lógica da sétima tentativa vista de fora. Ele conta a própria história por esse número: várias tentativas que não deram certo antes de uma ficar de pé, e a que deu certo carregava dentro dela tudo o que as outras tinham ensinado.
Na leitura dele, o não é a base do sim. Bairo conta que teve uma ideia de tecnologia que chegou cedo demais e que foi tirado da sociedade que a levaria adiante. Para ele, o que a Pebble mostra é que uma ideia pode sobreviver ao negócio que a abrigou, desde que alguém continue acreditando nela e que o tempo do mercado chegue.
Bairo não trata a volta como regra. Muitas marcas fecham e não voltam, e insistir sem aprender é só repetir o erro. O Método Sétima Tentativa propõe outra coisa: perguntar o que há dentro de cada não, provar pequeno e voltar à roda com o que ficou.
Onde isso encontra o ecossistema
As frentes que Bairo fundou partem de ideias que ouviram não antes de ganhar forma. O CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio, nasceu depois que bancos se recusaram a integrar a solução que ele construiu. O CLAIN, orquestrador de agentes de inteligência artificial, é a proposta de dar ao pequeno empreendedor apoio para revisar o que deu errado e planejar a próxima tentativa, com a decisão sempre nas mãos de uma pessoa.
Fontes
- Google Open Source Blog, sobre a abertura do código do PebbleOS, 27/01/2025: https://opensource.googleblog.com/2025/01/see-code-that-powered-pebble-smartwatches.html
- The Verge, sobre o código aberto e a volta da Pebble, 27/01/2025: https://www.theverge.com/2025/1/27/24352968/pebble-smartwatch-open-source-google-comeback
- The Verge, sobre os novos relógios da Core Devices, maio de 2025: https://www.theverge.com/news/661047/eric-migicovsky-pebble-core-devices-core-2-duo-core-time-2-smartwatch
- The Verge, sobre a recuperação da marca Pebble, julho de 2025: https://www.theverge.com/news/713931/pebble-smartwatch-name-trademark-recovered
- Core Devices, blog oficial da Pebble (produção do Pebble Time 2 e entregas do Pebble Round 2), 2026: https://repebble.com/blog
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