Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Ciência · 13 de agosto de 2024

NIST e criptografia pós-quântica: os padrões de 2024

Em 13/08/2024 o NIST publicou os FIPS 203, 204 e 205, primeiros padrões finais de criptografia pós-quântica. Em 2025 veio o HQC, de reserva. O que muda.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Em 13 de agosto de 2024, o NIST, o instituto de padrões dos Estados Unidos, publicou os três primeiros padrões finais de criptografia pós-quântica: o FIPS 203, para proteger a troca de chaves, e os FIPS 204 e 205, para assinaturas digitais. São algoritmos que rodam em computadores comuns, mas foram desenhados para resistir a ataques de computadores quânticos. Em março de 2025, o instituto escolheu um quinto algoritmo, o HQC, como reserva. A recomendação oficial foi direta: começar a migração imediatamente.

O que aconteceu

O processo começou em 2016, com uma competição pública. Segundo a IEEE Spectrum, o NIST recebeu 82 propostas de 25 países, testadas por criptógrafos do mundo inteiro durante anos. Em 2024 saíram os padrões finais:

  • FIPS 203 (ML-KEM): o padrão principal para estabelecer chaves, a base da criptografia geral.
  • FIPS 204 (ML-DSA): o padrão principal para assinaturas digitais.
  • FIPS 205 (SLH-DSA): um método de assinatura de reserva, baseado em outra matemática.

No anúncio, o matemático Dustin Moody, que chefia o projeto, pediu que os administradores de sistemas começassem a integrar os padrões imediatamente, porque a integração completa leva tempo. A diretora do NIST, Laurie Locascio, chamou os padrões de coroamento do esforço do instituto para proteger a informação eletrônica confidencial.

Em 11 de março de 2025, o NIST anunciou o HQC como reserva do ML-KEM. A razão, nas palavras de Moody, é ter um padrão de reserva baseado numa matemática diferente, caso o principal um dia se mostre vulnerável. O instituto previu um rascunho do padrão HQC para cerca de um ano depois e a versão final para 2027.

Por que importa

Boa parte da proteção da internet, dos bancos, dos documentos digitais e das assinaturas eletrônicas depende de algoritmos de chave pública como o RSA e as curvas elípticas. Eles se apoiam em problemas matemáticos que um computador quântico grande o bastante poderia resolver.

Esse computador ainda não existe. Mas há um risco que já existe: alguém pode copiar hoje dados cifrados e guardá-los para abrir quando a máquina chegar. Os especialistas chamam isso de colher agora, decifrar depois. Para informação que precisa ficar secreta por dez ou vinte anos, como prontuários, contratos e segredos industriais, o problema começa agora.

Os padrões do NIST viraram referência para governos e empresas no mundo todo. Eles transformam uma preocupação abstrata numa tarefa concreta, com nome e número: trocar os algoritmos.

Na visão de Bairo

Para Bairo, o que o NIST fez em 2024 é um exemplo de preparação feita antes da crise. Ninguém esperou o computador quântico chegar para agir. A comunidade científica viu o risco no papel, como van de Hulst viu a linha do hidrogênio em 1944, e trabalhou anos para ter a resposta pronta antes de precisar dela.

É esse o benefício que ele propõe com a qrqbits: um cofre pós-quântico para que arquivos, imagens, áudios e textos de cada pessoa sigam protegidos também quando os computadores quânticos amadurecerem. Como a qrqbits faz isso por dentro não é público. O que ela promete é o resultado: o íntimo continua íntimo.

Bairo faz questão de separar as palavras. Pós-quântico é criptografia matemática, não tecnologia quântica. O 1420, que dá nome ao projeto que ele fundou, também não é aparelho: é símbolo de silêncio e de escuta, medido pela régua de 21 cm. Ninguém transmite em 1420 MHz.

Onde isso encontra o ecossistema

A qrqbits é a camada de proteção que Bairo propõe para as outras frentes. Na Xperienc, a proposta é que os registros de saúde fiquem no painel do usuário, protegidos por essa camada. No CEASA Bank, a plataforma financeira do agronegócio, o cofre digital previsto guarda contratos e notas de quem produz. Nas duas, o que se busca é que o dado de hoje continue protegido daqui a vinte anos.

Fontes

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