Fé
Como encontrar esperança no fundo do poço?
Procure uma razão pequena para hoje, fale com alguém, lembre do que você já atravessou e peça ajuda se a esperança sumir. O fundo também é chão.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
O fundo do poço tem um silêncio próprio. Parece que nada vai mudar, que todas as portas fecharam. Se você está aí agora, a primeira coisa a saber é esta: muita gente que hoje está de pé já esteve exatamente onde você está.
O que fazer agora
- Se a esperança sumiu de vez, peça ajuda agora. Se você está pensando em tirar a própria vida, ligue para o CVV, no 188, gratuito, 24 horas, ou converse pelo chat em cvv.org.br. Em risco imediato, ligue 192 (SAMU) ou vá a um pronto-socorro. Você não precisa resolver tudo hoje; precisa atravessar hoje.
- Procure uma razão pequena. Não precisa ser um grande sentido para a vida. Pode ser um filho, um animal, uma pessoa, uma tarefa, a curiosidade de ver como as coisas vão ser. Esperança começa pequena.
- Lembre do que você já atravessou. Faça uma lista das vezes em que achou que não ia conseguir e conseguiu. O fundo do poço tem memória curta; você precisa lembrá-lo.
- Fale com alguém hoje. Um amigo, um parente, um líder da sua comunidade, um profissional de saúde. A esperança muitas vezes chega pela voz de outra pessoa.
- Cuide do corpo como se cuida de um doente querido. Água, comida, banho, sol, algumas horas de sono. São pequenos atos de esperança.
- Procure acompanhamento contínuo. Desesperança persistente pode ser sinal de depressão, que tem tratamento. A UBS e o CAPS da sua cidade acolhem pelo SUS.
- Ouça histórias de quem saiu. Testemunhos reais mostram que existe outro lado do poço.
- Volte ao básico da rotina. Acordar e dormir em horários parecidos, sair de casa um pouco todos os dias, comer em horário. A rotina segura a vida enquanto a esperança se recompõe.
Quando aconteceu com Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez descreve o próprio fundo do poço sem enfeite: falido, quebrado e derrotado. Sem dinheiro, sem saída aparente, sem mais nenhum plano na gaveta.
Mas, diz ele, ainda havia uma chama. De esperança e de fé. Foi ouvindo testemunhos numa congregação cristã que ela voltou a crescer: pessoas comuns contando como tinham atravessado o impossível.
Num tempo de fé e de silêncio, ele diz ter visto a sua melhor versão: um homem próspero, não só de dinheiro, de paz. Saiu dali com uma imagem e sem um mapa. Mas, para quem estava no fundo, uma imagem já era muito. Para ele, foi ali que tudo começou.
O caminho
Esperança não é ter certeza de que tudo vai dar certo. É acreditar que ainda vale a pena tentar. Bairo encontrou a dele numa chama pequena, que não apagou. A sua pode estar numa conversa, numa lembrança, numa pessoa. Proteja essa chama. Não precisa ser grande hoje; precisa continuar acesa até amanhã.
Se você acompanha alguém que está no fundo do poço, a sua presença conta mais do que qualquer conselho. Não é preciso ter a resposta certa. Basta estar perto, ouvir sem julgar, ajudar com o básico e, se perceber risco, ajudar a pessoa a ligar para o CVV ou a procurar o serviço de saúde. Esperança, muitas vezes, chega emprestada pelas mãos de alguém que ficou.