Persistência
Quantas tentativas até dar certo?
Não há número mágico. Conte o que cada tentativa ensinou, não quantas falharam. Pare quando repetir o mesmo erro; continue enquanto estiver aprendendo.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
Todo mundo que já caiu algumas vezes faz essa pergunta: quantas tentativas ainda faltam, três, cinco, dez? Seria bom ter um número, mas ele não existe. Existe, porém, uma forma melhor de contar, e ela muda a resposta.
O que fazer agora
- Conte aprendizados, não quedas. Em vez de "falhei cinco vezes", escreva o que cada tentativa ensinou. Se a lista cresce, você está avançando, mesmo sem resultado ainda.
- Observe se o erro se repete. Tentar de novo com o que aprendeu é persistência. Repetir o mesmo erro com outro nome é teimosia. Se o mesmo problema derrubou você três vezes, ele precisa ser resolvido antes da quarta.
- Defina limites antes de começar. Quanto tempo e quanto dinheiro você aceita investir nesta tentativa? Que resultado mínimo precisa ver até quando? Limite combinado antes evita decisões no desespero.
- Encurte cada tentativa. Tentativas menores e mais rápidas custam menos e ensinam mais. Teste ideias antes de apostar tudo nelas.
- Proteja o essencial entre uma tentativa e outra. Moradia, comida, saúde e o dinheiro de outras pessoas ficam fora da aposta. Assim, uma queda não vira desastre.
- Peça um olhar de fora. Um mentor, o Sebrae, alguém do setor. Às vezes a resposta para "continuo ou paro?" é "continue, mas mude isto".
- Respeite o cansaço. Pausa não é desistência. Se o desânimo virou desesperança, procure apoio: CVV no 188; UBS e CAPS pelo SUS.
- Escreva o que mudou desde a tentativa anterior. Se nada mudou no método, nos sócios ou no público, a próxima tentativa tende a repetir o resultado. Mude ao menos uma coisa importante.
Quando aconteceu com Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez não sabe dizer quantas vezes tentou. Ele conta que tentou, pensou em parar e quase desistiu mais vezes do que consegue contar. O número que escolheu para contar a história é sete: a sétima tentativa foi a que deu certo.
Olhando para trás, ele vê o que cada uma deixou. O curso de tratamentos capilares deixou método. A ideia de inteligência artificial que chegou cedo demais deixou o olho para o futuro. A marca de cosméticos deixou a prova de que ele sabia criar do nada. Os sócios que o tiraram deixaram a lição sobre com quem construir. A quebra com muita gente dependendo dele deixou a coragem de fazer o que não sabia. A moeda que formou uma comunidade, conta ele, deixou a estrada como endereço.
O caminho
Na vida de Bairo, sete não é número mágico: é o nome que ele deu à tentativa que juntou o que as anteriores ensinaram. Ela não deu certo por sorte; foi a primeira que tinha todas as outras dentro dela. Talvez a pergunta certa não seja "quantas vezes tentar", e sim "o que esta tentativa vai me ensinar para a próxima".
Celebre as tentativas, e não só os acertos. Cada vez que você tenta de novo, você está exercendo uma das qualidades mais raras que existem: a capacidade de levantar. Registre isso. Daqui a alguns anos, olhando para trás, você talvez descubra que as tentativas que não deram certo foram justamente as que prepararam a que deu.