Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Cannabis · 1 de novembro de 2018

Reino Unido: a cannabis medicinal na receita desde 2018

Desde 1º de novembro de 2018, especialistas podem prescrever produtos de cannabis no Reino Unido. O que a regra fez, o que não fez e o elo com Londres.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Desde 1º de novembro de 2018, produtos à base de cannabis para uso medicinal podem ser prescritos no Reino Unido. A mudança veio com um regulamento de 2018 que transferiu esses produtos para a Lista 2 das substâncias controladas, a das que têm uso médico reconhecido. Quando o produto não tem registro de medicamento, só médicos inscritos no registro de especialistas do General Medical Council podem prescrever.

O que aconteceu

O governo britânico anunciou a mudança em 11 de outubro de 2018, quando apresentou ao Parlamento o regulamento conhecido como Misuse of Drugs (Amendments) (Cannabis and Licence Fees) Regulations 2018, válido para Inglaterra, País de Gales e Escócia. A Irlanda do Norte adotou regra equivalente na mesma data.

A decisão foi precedida por uma revisão da diretora médica do governo, Sally Davies, e do conselho consultivo sobre drogas. O pano de fundo foram casos de crianças com epilepsia grave cujas famílias não conseguiam acesso legal a óleos de cannabis, e que levaram o governo a conceder licenças excepcionais naquele ano.

Segundo a cobertura do Pharmaceutical Journal, os pontos principais foram:

  • os produtos de cannabis para uso medicinal passaram à Lista 2, a das substâncias com uso terapêutico reconhecido;
  • a regra não limitou as condições para as quais a cannabis pode ser prescrita;
  • produtos sem registro só podem ser prescritos por médicos do registro de especialistas;
  • produtos que obtiverem registro na agência reguladora de medicamentos passam a seguir as regras de qualquer outro medicamento da Lista 2.

O uso recreativo continuou proibido.

Por que importa

O modelo britânico mostra uma forma de abrir a porta sem escancarar. Em vez de listar doenças, o Reino Unido confiou a decisão ao especialista, caso a caso, e manteve o produto sem registro como exceção. É uma regra que exige do médico conhecimento, responsabilidade e disposição para lidar com evidência ainda em construção.

Esse desenho também explica as críticas. Abrir a possibilidade de prescrição não garantiu acesso amplo: com a decisão concentrada em especialistas e com poucos produtos registrados, a maior parte dos pacientes continuou dependendo de encontrar o profissional certo. É uma tensão parecida com a que o Brasil vive hoje, em que o produto existe mas poucos médicos prescrevem.

Para o Brasil, o caso britânico é uma referência útil num momento em que a Anvisa amplia o acesso a produtos com mais THC. Lá, como aqui, a regra mais aberta não substitui a pergunta central: o que a evidência mostra para aquele paciente.

Na visão de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez escolheu Londres para registrar a Xperienc, e o Reino Unido entra na história dele também por isso. Na leitura dele, o modelo britânico tem uma virtude que combina com a forma como ele pensa a cannabis: a decisão fica com quem sabe, o especialista, e a regra cobra responsabilidade de quem prescreve.

Para Bairo, a lição dos últimos anos britânicos é que acesso depende de conhecimento circulando. Se o especialista certo está em outro país, outra cidade ou outra língua, a regra sozinha não chega ao paciente. É desse vão, entre a regra que permite e o conhecimento que falta, que nasce a proposta da Xperienc.

Onde isso encontra o ecossistema

A Xperienc Global Labs é a Xperienc Global Labs Ltd, registrada no Companies House sob o número 17030182 em fevereiro de 2026, que tem entre as atividades registradas a pesquisa e o desenvolvimento experimental em biotecnologia. Bairo é fundador e diretor. A proposta da Xperienc é unir laboratórios, teleconsulta com assistente clínico validado por profissional e o tradutor Global Language, para que paciente e especialista conversem cada um na própria língua, como segunda opinião clínica, não laudo.

O parceiro clínico no Brasil é o Hospital Granja Julieta, empresa distinta, em São Paulo.

O estado da ciência sobre a cannabis está em A planta e a ciência. As regras de cada país são diferentes; para o seu caso, vale a regra do lugar onde você se trata e a orientação do seu médico.

Fontes

  • legislation.gov.uk, The Misuse of Drugs (Amendments) (Cannabis and Licence Fees) (England, Wales and Scotland) Regulations 2018, SI 2018/1055: legislation.gov.uk
  • The Pharmaceutical Journal, "Medical cannabis will be available on prescription from 1 November 2018, UK government announces", 11/10/2018: pharmaceutical-journal.com
  • Department of Health (Irlanda do Norte), "Cannabis based medicinal products available in NI today", 1/11/2018: health-ni.gov.uk
  • Companies House, Xperienc Global Labs Ltd (17030182): company-information.service.gov.uk

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