No mundo · Cannabis · 23 de julho de 2021
Colômbia, exportadora de cannabis medicinal
Desde o Decreto 811 de 2021, a Colômbia exporta até a flor seca da cannabis medicinal. Em 2023, o Brasil virou o principal destino dessas vendas.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
A Colômbia regula a cannabis medicinal por lei desde 2016, e em 23 de julho de 2021 deu o passo que faltava para exportar: o Decreto 811 permitiu vender ao exterior a flor seca, além de extratos, sementes e derivados. As exportações cresceram desde então, ainda em escala modesta, e em 2023 o Brasil se tornou o principal comprador, com cerca de um terço do total, segundo a agência oficial ProColombia.
O que aconteceu
A base do sistema colombiano é a Lei 1.787, de 2016, que regulou o acesso seguro e informado à cannabis para fins médicos e científicos. O Decreto 811, publicado em 23 de julho de 2021 no Diário Oficial colombiano, substituiu as regras anteriores e mudou o jogo para quem produz:
- liberou a exportação da flor seca para fins medicinais e científicos, antes proibida;
- manteve a exportação de sementes, plantas e derivados, inclusive a partir de zonas francas;
- ampliou a validade das licenças de cinco para dez anos;
- abriu espaço para alimentos e bebidas com teor de THC abaixo de 1% em peso seco, sob licença de derivados não psicoativos.
Os números da ProColombia mostram o efeito. Entre janeiro e novembro de 2022, segundo a Bloomberg Línea, as exportações somaram US$ 8,4 milhões, quase o dobro do ano anterior, com extratos, medicamentos e sementes à frente e treze empresas exportadoras. Naquele ano, a Argentina era o principal destino e o Brasil aparecia em segundo, com 14%.
Em 2023, segundo a ProColombia citada pelo MJBizDaily, o total chegou a US$ 10,8 milhões, alta de 11,3%. O Brasil passou à frente da Argentina e respondeu por 32% das vendas, cerca de US$ 3,4 milhões, seguido de Austrália e Alemanha.
Por que importa
Para o Brasil, a Colômbia não é só vizinha: é fornecedora. Enquanto o cultivo nacional esperava regulamentação, boa parte do que o paciente brasileiro usava vinha de fora, e uma fatia crescente vinha da Colômbia. As resoluções da Anvisa de 2026 podem mudar essa relação, com produção local de plantas com até 0,3% de THC.
Os números também pedem realismo. A ProColombia já projetou que a cannabis medicinal poderia render mais de US$ 1,7 bilhão em exportações em 2030. A realidade de 2023 ficou em pouco mais de US$ 10 milhões. A distância entre a projeção e o resultado é um lembrete de que licença, clima e mão de obra não bastam: sem regra estável nos países compradores, comprovação de qualidade e acesso a mercado, o potencial não vira venda.
Na visão de Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez nasceu na Colômbia, em 1982, e vive no Brasil há mais de duas décadas. Na leitura dele, a cannabis medicinal é um dos fios que ligam os dois países: um produz, o outro precisa, e a regra de cada um decide se essa ponte funciona a favor do paciente.
Para Bairo, o caso colombiano mostra que abrir o mercado é só a metade do caminho. A outra metade é ciência, controle de qualidade e informação séria, para que o produto que atravessa a fronteira chegue com rastreabilidade e com evidência ao lado. Ele vê a integração entre os países da região, e não a disputa entre eles, como a forma de transformar potencial em acesso.
Onde isso encontra o ecossistema
A Xperienc Global Labs, fundada por Bairo em Londres, propõe uma plataforma internacional que integra laboratórios, teleconsulta com assistente clínico validado por profissional e o tradutor Global Language, para que paciente e especialista conversem cada um na própria língua. Num mercado que atravessa fronteiras entre países de língua espanhola, portuguesa e inglesa, essa é a ponte que a Xperienc quer construir, sempre como segunda opinião clínica, não laudo.
A rastreabilidade de ponta a ponta que o comércio internacional exige conversa com o registro verificável proposto pela BTZ Chain, como visão e não como serviço em operação.
O que a ciência já sabe sobre a planta está em A planta e a ciência. Este texto fala de comércio e regra, não de uso; para o seu caso, quem orienta é um profissional de saúde.
Fontes
- Función Pública (Colômbia), Decreto 811 de 2021, de 23/7/2021: funcionpublica.gov.co
- Bloomberg Línea, "Exportaciones de cannabis colombiano se disparan: ¿qué productos vende y a dónde?", 26/1/2023: bloomberglinea.com
- MJBizDaily, sobre as exportações colombianas de 2023 (dados da ProColombia): mjbizdaily.com
- Portafolio, projeções da ProColombia para a cannabis medicinal: portafolio.co