Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Agro · 16 de setembro de 2026

Crédito rural e juros: a Selic cai, a inadimplência fica

A Selic caiu para 13,75% em setembro de 2026, mas o BC prevê risco alto no crédito rural de pessoas físicas. O que isso significa para quem produz.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro de 2026, no quinto corte seguido desde março. O juro básico está caindo, depois de dez meses parado em 15%, o nível mais alto em quase duas décadas. Para o crédito rural, porém, o alívio chega devagar: o próprio Banco Central avisou, em maio, que a probabilidade de inadimplência nas carteiras rurais de pessoas físicas deve continuar em alta.

O que aconteceu

A decisão de setembro foi unânime e veio em linha com o que o mercado esperava, segundo a cobertura publicada pelo Diário do Grande ABC. Desde março de 2026, quando o Copom iniciou o que chamou de ciclo de calibração, a Selic caiu 1,25 ponto percentual. Antes disso, a taxa havia ficado em 15% de junho de 2025 a março de 2026.

O Relatório de Estabilidade Financeira de maio de 2026 traz o outro lado. O Banco Central identificou piora nos indicadores de risco das operações de crédito rural e agroindustrial de pessoas físicas ao longo de 2024 e 2025 e escreveu que a trajetória de alta da probabilidade de inadimplência nessas carteiras deve permanecer nos próximos períodos. A CNN Brasil destacou o contraste do relatório: enquanto o crédito bancário ao produtor piorava, os instrumentos do mercado de capitais do agro cresciam.

A Serasa Experian completa o quadro com os pedidos de recuperação judicial. Em 2025, foram 1.990 pedidos no agronegócio, alta de 56,4% sobre 2024 e o maior número da série iniciada em 2021. Produtores rurais pessoa física fizeram 853 desses pedidos.

Por que importa

Juro mais baixo reduz o custo das novas operações, mas não apaga a dívida feita quando a taxa estava no topo. Muitos produtores contrataram crédito com juro alto, enfrentaram clima ruim e insumo caro e agora renegociam. Ao mesmo tempo, as instituições financeiras, depois de perdas, tendem a pedir mais garantia. Para quem tem pouco patrimônio, isso pode significar ficar fora do crédito justamente quando ele fica mais barato.

A Selic também mexe na comercialização. Com juro alto, o produtor sem capital de giro vende a safra na hora errada, porque precisa do dinheiro naquele dia. O comerciante da central, que paga o produtor e recebe do varejo dias depois, sente o mesmo aperto no caixa.

Na visão de Bairo

Para Bairo Leandro Gonzalez Martinez, a queda da Selic é uma janela, mas não muda sozinha o lugar do pequeno produtor na fila. Na leitura dele, quem não sabe o preço negocia no escuro, quem não tem crédito vende na hora errada, e quem vende na hora errada fica com menos para plantar a próxima safra. Ele conhece por dentro a sensação de não conseguir provar o que fez: Bairo conta que, quebrado e com muita gente dependendo dele, aprendeu que sem histórico não há crédito para recomeçar.

Bairo defende que o produtor tenha preço visível, dinheiro que chega no mesmo dia e crédito pela história real. Para ele, a conexão direta entre produtor, comerciante e comprador, com cotação baseada nos dados da CEASA e da Conab, é o ponto de partida para que a venda registrada vire argumento diante de quem empresta.

Onde isso encontra o ecossistema

O CEASA Bank é uma plataforma financeira do agronegócio, fundada por Bairo, que opera sobre a infraestrutura de uma instituição autorizada. Não é um banco autorizado e não concede crédito por conta própria. A proposta é organizar a parte que antecede o crédito: a cotação com inteligência artificial a partir de dados públicos das CEASAs e da Conab, a cobrança emitida em minutos e o registro de cada venda como histórico financeiro de quem a fez.

O crédito ligado à safra e o financiamento de máquinas aparecem no desenho como etapas seguintes, a serem oferecidas com instituições autorizadas. A plataforma não promete taxa nem aprovação.

Fontes

  • Banco Central do Brasil, histórico das taxas de juros (Copom de 16/09/2026): bcb.gov.br
  • Diário do Grande ABC, "Copom reduz taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, para 13,75% ao ano", 16/09/2026: dgabc.com.br
  • Banco Central do Brasil, Relatório de Estabilidade Financeira, maio de 2026: bcb.gov.br
  • CNN Brasil, "Crédito rural piora enquanto mercado de capitais do agro avança, diz BC", 25/05/2026: cnnbrasil.com.br
  • Serasa Experian, "Recuperação judicial: agro fecha 2025 com quase 2 mil solicitações", 09/03/2026: serasaexperian.com.br

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