Fluxo de caixa
Como separar o dinheiro pessoal do da empresa
Tenha conta só da empresa, defina um pró-labore fixo mensal e nunca pague contas da casa com dinheiro do negócio. Lucro se retira à parte.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
Misturar o dinheiro da casa com o do negócio é um dos erros mais comuns de quem empreende, e um dos mais caros. Você deixa de saber se a empresa dá lucro, perde o controle dos impostos e, num mês ruim, o aperto do negócio vira aperto da família, e vice-versa. A busca "como separar dinheiro pessoal do dinheiro da empresa" aparece entre as sugestões do Google justamente porque quase todo mundo passa por isso.
O caminho prático
- Abra uma conta só para a empresa. Com CNPJ, abra conta de pessoa jurídica. Todo dinheiro do negócio entra e sai por ela; nada pessoal passa por lá.
- Defina o seu pró-labore. Pró-labore é a remuneração de quem trabalha no próprio negócio. Escolha um valor fixo mensal que a empresa consiga pagar mesmo num mês fraco e transfira para a sua conta pessoal sempre no mesmo dia. Com o tempo, você ajusta.
- Entenda o que é obrigatório. Em sociedades e empresas do Simples Nacional, a retirada de pró-labore tem contribuição ao INSS e regras próprias; o MEI recolhe o INSS dentro do DAS. Confirme com o seu contador como funciona no seu regime.
- Lucro é outra coisa. Depois de pagar todas as contas, impostos, pró-labore e separar reservas, o que sobra é lucro, que pode ser distribuído com registro contábil. Retirar "o que tem na conta" no fim do mês não é lucro: muitas vezes é o capital de giro do mês seguinte.
- Nada de pagar a casa com o cartão da empresa. Se aconteceu, registre como retirada e desconte do seu pró-labore. Assim a contabilidade continua verdadeira.
- Crie uma reserva para cada lado. Uma reserva de emergência para a família e outra para a empresa. Quando uma socorre a outra sem regra, as duas ficam frágeis.
- Revise uma vez por mês. Olhe a conta da empresa, o fluxo de caixa e o pró-labore. Se o negócio cresce, aumente o pró-labore aos poucos, não o gasto.
Como Bairo passou por isso
A trajetória de Bairo Leandro Gonzalez Martinez tem um ponto em que negócio e família se encontram de um jeito que não dá para separar. O primeiro negócio dele no Brasil, um salão, foi aberto com a companheira quando a filha nasceu. A história dele registra a conta que todo pai imigrante faz em silêncio: antes, errar custava a ele; agora, errar custava a mais alguém.
Mais tarde, na quebra que se seguiu a um investimento que não se sustentou, havia muita gente dependendo dele. Quando muita gente depende de você, separar o que é de quem deixa de ser formalidade contábil e vira proteção.
O passo da Fórmula
Separar as contas é a base do passo 5 do Método Sétima Tentativa: conte em tempo de vida. Só com a conta da empresa limpa você consegue responder quantas semanas o negócio aguenta, e quantas a sua casa aguenta, sem que uma derrube a outra.
Conheça o Método Sétima Tentativa