Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Inovar na dor

Disseram que minha ideia não vai dar certo: como reagir ao não

Acabou de ouvir que sua ideia não vai dar certo? O que fazer nas 48 horas seguintes: anotar, não reagir no impulso, perguntar o motivo e testar.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Você mostrou a ideia com brilho no olho e recebeu de volta um "isso não vai dar certo". Dói, e planta uma dúvida que fica dias na cabeça. Talvez tenha vindo de alguém que você respeita: o pai, o chefe, um amigo que entende do ramo. Esta página é sobre esse momento, logo depois do não. Se o problema já é outro, e ninguém à sua volta acredita no projeto há meses, veja Ninguém acredita na minha ideia, que ensina a classificar os nãos. Esse "não" de agora pode ser um aviso útil ou só o medo de quem nunca viu nada parecido.

O que fazer agora

  1. Espere 48 horas, depois pergunte por quê. Anote a frase exata que ouviu e quem disse. Nesses dois dias, não rebata, não desista e não anuncie nada: o não ouvido a quente parece maior do que é. Depois, volte à pessoa e peça o motivo. "Não vai dar certo" não é argumento; é conclusão. Peça o motivo. Custo alto demais? Ninguém compraria? Já existe? A lei não permite? Cada resposta é diferente.
  2. Leve a sério as objeções técnicas e legais. Se a ideia esbarra em regulação, segurança ou saúde, pare e estude antes de seguir. Esse "não" protege você.
  3. Separe do medo alheio. Quando a objeção é "ninguém faz isso", "é arriscado", "vai que dá errado", pode ser só desconforto com o novo.
  4. Teste com quem seria o cliente. A opinião que mais importa é a de quem usaria a solução. Mostre, ofereça, peça para pagar. Se ninguém quiser, aprenda; se alguns quiserem, continue.
  5. Ajuste em vez de abandonar. Muitas vezes a crítica derruba a forma, não a essência. Mude o preço, o público, o canal, e mantenha o núcleo.
  6. Cuidado com o tempo. Ideias certas chegam cedo demais. Observe se o mercado está pronto. Às vezes a resposta é "ainda não", e não "nunca".
  7. Não deixe um "não" virar desistência automática. Defina antes quantos testes vai fazer e que sinais vão fazer você parar.

Quando aconteceu com Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez ouviu "não vai dar certo" tantas vezes que fez da frase um método. A primeira lição foi dolorosa: ele quis levar inteligência artificial e realidade aumentada para o negócio, ouviu que não daria certo, acreditou na ideia e mesmo assim desistiu. Anos depois, aquilo virou tendência.

Com a marca própria de cosméticos de base natural, disseram de novo que não daria. Dessa vez, ele não parou. Deu certo, e os cosméticos naturais também viraram tendência. Foi a segunda vez que ele chegou antes da onda, e a primeira em que não saiu da água.

Ele lembra, com gosto, de uma cena contada por Napoleon Hill: os engenheiros de Henry Ford disseram, todos, que um motor V8 com os oito cilindros num bloco só era impossível. Ford mandou continuar. Em 1932, o Ford V8 chegou às ruas.

O caminho

"O não é a base do sim", diz Bairo. Nem todo "não" está errado; alguns salvam você de um erro caro. Mas muitos só significam que ninguém tentou do seu jeito. Pergunte o motivo, teste com quem importa e ajuste. E, se a ideia sobreviver ao teste, siga, mesmo que o coro continue dizendo que não dá.

Quase toda inovação passou por uma fase em que parecia estranha, cara ou desnecessária. Isso não prova que toda ideia estranha é boa, mas mostra que o estranhamento, sozinho, não é argumento contra ela. O argumento de verdade está no teste com quem usaria a solução. Leve a ideia até essas pessoas e deixe que elas respondam.

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