Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Inovar na dor

Como inovar em meio à dor e à crise?

A dor mostra o problema que ninguém resolveu. Veja o que te machucou, pergunte quem mais sofre com isso e teste uma solução pequena.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Na crise, a vontade natural é se encolher, cortar tudo e esperar passar. Mas muitas soluções que hoje parecem óbvias nasceram de alguém que estava no aperto e não tinha outra saída senão inventar. A dor, quando não paralisa, aponta para o que precisa existir.

O que fazer agora

  1. Comece pela dor, não pela ideia. Escreva com precisão o que está doendo: "o banco não me atende", "não consigo vender sem atravessador", "não tenho acesso a crédito". Problema bem descrito é metade da inovação.
  2. Pergunte quem mais sofre com isso. Se você sente, outros também sentem. Converse com essas pessoas. Elas vão dizer o que tentaram, o que falhou e o que pagariam para resolver.
  3. Use o que está à mão. Crise não é hora de grandes investimentos. Que ferramentas baratas ou gratuitas existem hoje? Inteligência artificial, planilhas, redes, aplicativos de mensagem. Muito se constrói com pouco.
  4. Faça uma versão mínima. Um protótipo, um serviço feito à mão, um teste com dez pessoas. O objetivo é aprender rápido, gastando pouco.
  5. Escute o "não" com atenção. Quando disserem que não dá, pergunte por quê. Às vezes a resposta mostra uma falha real. Às vezes mostra que ninguém tentou do seu jeito.
  6. Proteja o essencial enquanto inova. Não aposte a comida da casa nem o dinheiro de outros. Inovação sustentável é a que não destrói a sua vida se der errado.
  7. Cuide da cabeça. Inovar em crise exige energia. Se o sofrimento estiver grande demais, procure apoio: CVV no 188; UBS e CAPS pelo SUS.

Quando aconteceu com Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez costuma dizer que achou a dor e, em vez de fugir dela, fez dela a sua base. Isso aconteceu depois de os sócios o tirarem de um negócio por causa de uma ideia de tecnologia de toque. Ali ele percebeu, diz, que no fundo sempre soube: o não é a base do sim.

O exemplo mais claro veio anos depois. Ele construiu, em seis meses diante do computador, a base de uma plataforma financeira para o agronegócio, uma inteligência artificial de nicho para conectar quem produz, quem comercializa e quem compra. Ele conta que os bancos se recusaram a integrar a solução.

Em vez de parar, concentrou-se nas peças que podia construir sem esperar a integração de um banco: inteligência artificial, mensageria financeira no padrão internacional ISO 20022, blockchain e tokenização de ativos reais. Construir não é o mesmo que operar com o público: para isso, cada uma dessas frentes tem regras e autorizações próprias. Os bancos que não quiseram integrar a ideia acabaram ensinando a ele a construir a própria infraestrutura.

O caminho

Inovar na dor é transformar o "não dá" em "então vou fazer de outro jeito". Bairo fez isso tantas vezes que virou método: cada recusa apontou um caminho que ninguém estava percorrendo. A sua dor de hoje pode ser o mapa do problema que você, melhor que ninguém, sabe resolver.

Não confunda inovar com fazer algo enorme. A maior parte das inovações começa como um ajuste pequeno num processo que todo mundo aceitava como era. Uma forma mais simples de entregar, de cobrar, de atender. Se você está passando por uma dor, você está numa posição privilegiada para enxergar esse ajuste. Escreva a ideia hoje, antes que a rotina a apague.

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