Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Etapa 6

Provas, aliados e inimigos: quando dizem que não dá

Etapa 6 da Jornada do Herói: ideias cedo demais, uma marca que deu certo e sócios que tiraram Bairo do negócio. Como transformar cada "não" em base.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Uma mesa de reunião. Do outro lado, os sócios. A ideia sobre a mesa é dele: levar tecnologia de tela sensível ao toque para o negócio que ele ajudou a erguer.

A resposta não vem de fora. Vem de dentro. Os sócios o tiram do negócio, e a ideia fica com eles.

Ele sai pela porta com as mãos vazias e uma dor que não cabe no bolso. Há derrotas que custam dinheiro. Esta custou outra coisa.

O que é esta etapa

Na Jornada do Herói, de Joseph Campbell (1949), organizada em doze etapas por Christopher Vogler, a sexta etapa se chama provas, aliados e inimigos.

Depois de atravessar o limiar, o herói entra num mundo novo e precisa aprender as regras dele. Vem uma sequência de testes, alguns pequenos, outros duros. É aqui que ele descobre em quem pode confiar, quem atrapalha e, principalmente, quem ele mesmo é sob pressão.

Vogler lembra que essa etapa costuma ser longa. Não é uma prova só: é uma temporada inteira de tentativas. E nem todo inimigo é um vilão. Às vezes é o mercado que ainda não está pronto, uma parceria que dá errado, a própria pressa.

Na vida de Bairo

A temporada de provas de Bairo durou anos, e veio em ondas.

A primeira prova foi chegar cedo demais. Ele quis levar inteligência artificial e realidade aumentada para o negócio. Disseram que não daria certo. Ele acreditou na ideia e, mesmo acreditando, desistiu. Anos depois, a mesma coisa virou tendência. Quem vê de longe chama isso de visão. Quem vive de perto sabe que chegar cedo demais também é chegar sozinho.

A segunda prova foi ficar na água. Bairo foi para a cidade onde a filha nasceu e começou a produzir cosméticos com uma marca própria, de base natural. De novo, disseram que não daria certo. Deu. E, anos depois, os cosméticos naturais viraram tendência. Foi a segunda vez que ele chegou antes da onda, e a primeira em que não saiu da água.

A terceira prova foi a dos sócios. A ideia da tela sensível ao toque, a porta fechada por dentro, a saída sem a própria criação.

Foi aí que Bairo fez uma descoberta que carrega até hoje. Ele encontrou a dor e, em vez de fugir dela, fez dela a sua base. Não como ferida aberta. Como chão. E, no fundo, sabia de uma coisa que ainda não tinha dito em voz alta: o não é a base do sim.

Cada porta fechada tinha deixado algo na mão dele. O curso deixou método. A ideia que chegou cedo deixou o olho para o futuro. A marca deixou a prova de que ele sabia criar do nada. E os sócios deixaram a lição mais cara: escolher com quem se constrói.

Os aliados dessa fase foram poucos e discretos: a companheira, a filha como razão, a própria teimosia. Ele não esperou a ferida fechar. Foi trabalhar com eventos e impressão digital, reinventou-se mais uma vez e juntou capital.

Na sua vida

Esta é a etapa em que muita gente desiste, porque confunde prova com sentença.

Se você é empreendedor e quebrou, talvez já tenha ouvido "isso não vai dar certo" de banco, de família, de investidor. Se você é imigrante, talvez tenha ouvido também "aqui não funciona assim" ou "isso não é para gente como você". Se você está recomeçando, talvez a voz que mais diga "não dá" seja a sua.

Perguntas para ler as suas provas:

  • Dos "nãos" que você ouviu, quais eram sobre a ideia, quais eram sobre o momento e quais eram só medo de quem falou?
  • Que ideia você abandonou e depois viu outra pessoa realizar? O que isso diz sobre o seu olho?
  • Quem são os seus aliados reais hoje, aqueles que ficam quando dá errado?
  • De qual parceria você precisa se proteger antes de começar?

Três passos para esta semana

  1. Faça o mapa dos seus nãos. Liste cada "não" importante da sua vida e escreva, ao lado, o que ele deixou na sua mão: um aprendizado, uma habilidade, uma pessoa. Repare quantos viraram tijolo.
  2. Proteja as próximas ideias. Antes de abrir sociedade, coloque tudo por escrito: quem traz o quê, quem decide o quê, o que acontece se alguém sair. Um contrato simples, revisado por um advogado ou pela assistência jurídica gratuita de uma faculdade, evita a dor que Bairo conheceu.
  3. Escolha um aliado e cuide dele. Uma pessoa que esteve com você no pior momento. Agradeça, pergunte como ela está, ofereça algo. Aliado não é contato: é relação.

Não há jornada sem provas. O que muda é o que você faz com o que cada uma deixa na sua mão.

A frase da etapa

"O não é a base do sim."

Bairo Leandro Gonzalez Martinez

Próxima etapa

Etapa 7: A aproximação da caverna, quando a oportunidade é uma armadilha

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