Bairo GonzalezLeandro · Martinez

IA · Ética

É seguro usar inteligência artificial?

É seguro quando você sabe o que não colar, ajusta a privacidade e confere o que recebe. Veja os riscos reais e as regras de bolso para usar com calma.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Usar inteligência artificial é tão seguro quanto o cuidado de quem usa. Os assistentes mais conhecidos (ChatGPT, Claude, Gemini, Copilot) são produtos de empresas grandes, com políticas de privacidade publicadas e configurações que você pode ajustar. Os riscos reais estão em outro lugar: colar dados pessoais que não deveriam sair de casa, confiar em resposta errada, cair em aplicativo falso, usar a ferramenta para decisões que exigem um profissional e não perceber os vieses que ela carrega. Com algumas regras de bolso, dá para usar com tranquilidade.

O medo faz sentido quando é medo de não saber. Este texto é para transformar esse medo em critério.

Por que a IA não é um chatbot

Muita gente tem receio da IA porque imagina um robô que vai decidir por ela. Mas a ferramenta não decide nada sozinha: ela responde ao que você pede e trabalha com o que você entrega. Por isso a segurança começa em você.

Na visão de Bairo, "a IA não é um chatbot, e sim uma extensão da sua consciência". Se ela é extensão, ele argumenta, cuidar dela é cuidar de si: do que você conta, do que você aceita e do que você decide.

Passo a passo hoje

  1. Instale só o aplicativo oficial. Confira o desenvolvedor na loja (OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft). Golpes com aplicativos e sites falsos são comuns.
  2. Proteja a conta. Senha forte e verificação em duas etapas. Não compartilhe a conta com outras pessoas.
  3. Leia e ajuste a privacidade. Nas configurações, veja se as suas conversas podem ser usadas para treinar a ferramenta, o que fica guardado na memória e como apagar o histórico. Decida com calma.
  4. Siga a regra do que não se cola. Senhas, números de cartão e de conta, documentos com CPF ou RG, exames com nome, dados de clientes, segredos da empresa, fotos de crianças. Se precisar da ajuda, troque os dados por exemplos inventados.
  5. Peça uma avaliação de risco antes de enviar algo:
Vou te enviar [descreva o tipo de documento, sem enviar ainda].
Antes, me diga quais informações pessoais ou sensíveis eu devo
apagar ou trocar por exemplos para usar você com segurança.
  1. Desconfie de urgência. Golpes usam IA para imitar voz de parentes, criar mensagens convincentes e vídeos falsos. Se alguém pede dinheiro com pressa, desligue e ligue de volta para o número que você conhece.
  2. Mantenha a palavra final com profissionais. Saúde, processos, contratos e investimentos pedem alguém com formação e responsabilidade. A IA ajuda a entender e a preparar perguntas.
  3. Ensine as crianças e os mais velhos. Combine em família: o que nunca se conta para a IA, como conferir uma informação e a quem pedir ajuda.
  4. Saiba dos seus direitos. A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) garante, entre outros, o direito de saber como os seus dados são usados e de pedir correção e revisão de decisões tomadas só por máquina.

Uma pergunta que vale fazer a qualquer ferramenta:

O que acontece com as conversas que eu tenho com você? Onde
eu ajusto isso e como apago o meu histórico?

Confirme a resposta na política de privacidade oficial.

Como Bairo fez

Bairo Leandro Gonzalez Martinez conta que aprendeu a construir com inteligência artificial em seis meses diante do computador, em casa, sem saber programar. Dali saiu a base da plataforma e da IA do CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio.

Proteção virou assunto central nas frentes que ele fundou depois. Uma delas, a qrqbits, tem como proposta proteger arquivos, imagens, áudios e textos com criptografia pós-quântica, em camadas. Na saúde, o desenho prevê assistente clínico com validação profissional. Para ele, uma extensão do humano só vale se o humano continuar seguro e no comando.

Cuidados

Segurança não é medo, é hábito: não cole o que não colaria num grupo de desconhecidos, confira o que a IA afirma em fonte confiável, não troque médico nem advogado por resposta de máquina, desconfie de áudios e vídeos que pedem dinheiro, e lembre que a ferramenta tem vieses e pode tratar pessoas de forma desigual sem que ninguém perceba; quando algo parecer injusto, questione.

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