Bairo GonzalezLeandro · Martinez

IA · Ética

A inteligência artificial pode errar? Como conferir

Pode, e erra com muita segurança: inventa fontes, números e leis. Veja por que isso acontece e um método simples para conferir antes de confiar.

Sim, a inteligência artificial erra, e o erro dela tem uma característica perigosa: vem escrito com a mesma segurança da resposta certa. Os assistentes mais conhecidos, como ChatGPT, Claude, Gemini e Copilot, podem inventar um artigo de lei, citar um livro que não existe, errar uma conta, misturar datas ou afirmar algo desatualizado. Os especialistas chamam isso de "alucinação". Não é mentira de propósito: a ferramenta gera o texto mais provável a partir do que aprendeu, e o provável nem sempre é o verdadeiro.

Isso não torna a IA inútil. Torna obrigatório conferir, do mesmo jeito que você confere o troco.

Por que a IA não é um chatbot

Se a IA fosse um chatbot de respostas fixas, bastaria confiar no roteiro. Como ela gera respostas novas a cada vez, cabe a quem usa julgar o que recebe.

Na visão de Bairo, a IA é uma extensão de você, e por isso a responsabilidade continua sendo sua. Ele diz que "a inteligência artificial é a extensão do humano, não o problema". Na arquitetura que ele propõe para o ecossistema que fundou, a verdade é o validador: nada deveria valer só porque uma máquina disse.

Passo a passo hoje

  1. Saiba onde ela mais erra. Números exatos, datas, nomes de pessoas, citações, leis e decisões judiciais, preços, notícias recentes, assuntos locais da sua cidade. Nesses casos, desconfie em dobro.
  2. Peça a fonte e abra a fonte:
Para cada afirmação importante da sua resposta, indique de onde
ela vem. Se você não tiver uma fonte que eu possa abrir, diga
claramente "não tenho fonte para isso".
  1. Peça que ela aponte a própria incerteza:
Releia a sua resposta e marque o que você tem certeza, o que
é provável e o que pode estar errado ou desatualizado.
  1. Confira em duas fontes independentes. Para saúde, use órgãos oficiais e sociedades médicas. Para leis, o portal oficial da legislação. Para dinheiro, o Banco Central e a CVM. Para notícias, veículos de imprensa reconhecidos.
  2. Pergunte de outro jeito. Faça a mesma pergunta com outras palavras, ou em outro assistente. Se as respostas divergem, é sinal de que precisa checar.
  3. Refaça as contas. Use a calculadora ou a planilha. A IA melhorou muito em matemática, mas ainda erra em contas longas.
  4. Desconfie da resposta que agrada demais. Ferramentas tendem a concordar com quem pergunta. Peça o contrário:
Agora faça o papel de quem discorda dessa conclusão. Quais são
os melhores argumentos contra ela e o que eu posso estar
deixando de ver?
  1. Atenção a imagens, áudios e vídeos. A IA também cria conteúdo falso que parece real. Antes de compartilhar algo chocante, procure a origem.
  2. Ensine isso em casa. Crianças, adolescentes e idosos merecem saber que a máquina pode errar. Conferir é um hábito que protege a família.

Um exemplo comum: alguém pergunta qual é o prazo para contestar uma cobrança e a IA responde com um número de dias e um artigo de lei. A resposta parece perfeita. Ao abrir o texto oficial, a pessoa descobre que o artigo trata de outro assunto, ou que o prazo mudou. Cinco minutos de conferência evitaram uma decisão errada. Esse é o hábito que vale criar: usar a IA para chegar mais rápido à pergunta certa, e a fonte oficial para chegar à resposta certa.

Como Bairo fez

Bairo Leandro Gonzalez Martinez aprendeu a construir com inteligência artificial sem saber programar. Ele conta que passou seis meses em casa, diante do computador, errando, refazendo e conferindo, até erguer a base da plataforma e da IA do CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio.

Talvez por isso ele dê tanto peso à verificação. A BTZ Chain, rede que ele propõe, é pensada como validadora de veracidade e prova de humanidade, para que humanos e máquinas trabalhem juntos num lugar onde a verdade possa ser conferida. Para ele, ninguém precisa confiar cegamente numa máquina. Basta poder verificar.

Cuidados

Conferir também é se proteger: não compartilhe informação da IA sem checar, não tome decisão de saúde, jurídica ou de dinheiro com base só no que ela disse, não cole dados pessoais para "testar" a ferramenta e lembre que, além de errar fatos, ela reproduz vieses dos textos com que aprendeu, podendo ser injusta com mulheres, pessoas negras, imigrantes, idosos e pessoas de regiões pouco representadas.

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