Sócios
Como escolher um sócio e não se arrepender
Escolha por valores e habilidades que completam as suas, não por amizade. Teste o trabalho juntos e assine um acordo de sócios antes de dar certo.
Sociedade é um dos pontos onde mais negócios se perdem. O professor Noam Wasserman, que estudou milhares de fundadores para o livro The Founder's Dilemmas, popularizou a estimativa de que cerca de 65% das startups de alto potencial que fracassam têm conflitos no time fundador entre as causas. O número vem de amostras de startups com investidores, mas a lição vale para a padaria e para a tecnologia: escolher sócio é tão sério quanto escolher o negócio.
O caminho prático
- Saiba por que você quer um sócio. Dinheiro? Habilidade que você não tem? Companhia para não decidir sozinho? Cada motivo pede um tipo de sócio diferente, e às vezes a resposta é contratar, não associar.
- Busque complemento, não espelho. Se você vende bem, busque quem organiza números. Dois vendedores ou dois técnicos tendem a disputar o mesmo espaço.
- Converse sobre valores antes de números. Como cada um lida com dívida? Com risco? Com horas de trabalho? O que faria com o primeiro lucro? Desalinhamento de valores aparece mais tarde e custa mais caro.
- Teste antes de casar. Façam um projeto pequeno juntos, com prazo, antes de abrir a empresa. Ver como a pessoa age sob pressão diz mais que qualquer entrevista.
- Escreva o acordo de sócios. Além do contrato social registrado na Junta Comercial, um acordo de sócios (que não precisa ser registrado para valer entre as partes) deve dizer: quanto cada um aporta em dinheiro e em horas; quem decide o quê; como se distribui lucro; como alguém sai e como se calcula o valor da parte; o que acontece se um sócio parar de trabalhar; de quem são marca, código e ideias; regras de não concorrência. Um advogado ajuda a ajustar.
- Combine a participação por etapas. É comum que a participação de quem trabalha seja conquistada ao longo do tempo (o mercado chama isso de vesting), para não premiar quem sai cedo.
- Revise a cada ano. Sociedades mudam. Um encontro anual para revisar papéis evita mágoa acumulada.
Como Bairo passou por isso
Bairo Leandro Gonzalez Martinez conta que viveu as duas pontas desta história. Com a marca de cosméticos de pé, ele enxergou o passo seguinte: uma solução com tecnologia de tela sensível ao toque. Era ideia dele. Os sócios o tiraram do negócio, e a ideia ficou com eles.
Mais tarde, depois de quebrar e de ser deixado na mão por pessoas que ele tinha ajudado, ele voltou a construir em equipe. Na fase que chama de sétima tentativa, uniu-se a três velhos conhecidos. A diferença, diz a história dele, não foi confiar menos. Foi escolher melhor com quem construir.
O passo da Fórmula
Esta é a página do passo 4 do Método Sétima Tentativa: escolha com quem construir. Antes de assinar, cada sócio responde sozinho, por escrito, às cinco perguntas: dinheiro e horas, decisão, saída, parada e propriedade das ideias. Comparem. Se não bate, o problema apareceu a tempo.
Conheça o Método Sétima Tentativa