Esgotamento
Solidão do empreendedor: como lidar
Quase todo fundador sente que carrega tudo sozinho. Crie rede de pares, tenha alguém de fora para decidir junto e diga a verdade a quem está perto.
Quem empreende costuma ouvir que é "o chefe", "o dono", "o forte". Do lado de dentro, a sensação é outra: as decisões difíceis não têm com quem ser divididas, a família se preocupa, a equipe espera respostas, os amigos não entendem por que você não descansa. A solidão do fundador é tão comum que, em inglês, "entrepreneur loneliness" virou tema de discussão em fóruns de empreendedores. Ela não é sinal de que você está fazendo algo errado. Mas, se ignorada, alimenta ansiedade, decisões ruins e esgotamento.
O caminho prático
- Encontre pares. Outros empreendedores entendem o que você vive sem precisar de explicação. Grupos do Sebrae, associações comerciais, núcleos setoriais, comunidades de empreendedores do seu ramo ou da sua cidade. Um encontro por mês já muda a sensação de isolamento.
- Tenha um conselho, mesmo informal. Duas ou três pessoas de fora, de confiança, com quem você discute decisões importantes uma vez por mês: um contador, um empresário mais velho, um mentor.
- Conte a verdade em casa. Esconder da família que o negócio está difícil aumenta o peso e a distância. Dizer a verdade, com calma, costuma trazer apoio onde você esperava cobrança.
- Divida o que pode ser dividido. Um sócio com acordo claro, uma pessoa de confiança na equipe com autonomia real, um profissional terceirizado para as áreas que você não domina.
- Preserve vínculos fora do trabalho. Amizades, fé, esporte, arte, comunidade. Identidade que se resume ao negócio fica frágil quando o negócio balança.
- Busque ajuda profissional. Terapia não é só para crises. Na pesquisa da Endeavor Brasil com o BID Lab sobre saúde mental de empreendedores, 54,2% tinham procurado psicólogo nos momentos difíceis do último ano, e 26,3% não tinham buscado apoio especializado nenhum. Se a solidão virar desesperança, o CVV atende de graça, 24 horas, no 188.
Solidão não se resolve com mais trabalho. Resolve-se com mais vínculo, um de cada vez.
Como Bairo passou por isso
Bairo Leandro Gonzalez Martinez conta que conheceu a solidão do fundador em várias formas. A do imigrante que ficou sem rede depois de sair da empresa que o trouxe ao Brasil. A de quem chegou cedo demais com uma ideia; a história dele registra a frase: chegar cedo demais também é chegar sozinho. A de quem foi deixado na mão por pessoas que tinha ajudado. E a de seis meses diante de um computador, sem sair de casa, construindo a base do que viria.
Numa congregação cristã, conta ele, ouviu relatos e testemunhos de pessoas comuns que tinham atravessado o impossível. E, depois dos seis meses sozinho, deixou de estar sozinho: uniu-se a três velhos conhecidos para continuar e elevar juntos o que tinha começado. Para quem foi deixado na mão, diz a história dele, a palavra "juntos" não é detalhe.
O passo da Fórmula
Contra a solidão, o passo 4 do Método Sétima Tentativa: escolha com quem construir não vale só para sócios. Vale para conselheiros, pares e amigos. Escreva o nome de três pessoas com quem você poderia dividir uma decisão difícil este mês, e marque a conversa.
Conheça o Método Sétima Tentativa