Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Solidão

Como lidar com a solidão na crise: o que fazer agora

Peça ajuda de forma específica, procure comunidades e serviços que acolhem e cuide da rotina. Solidão intensa merece cuidado: ninguém atravessa sozinho.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Na crise, o telefone toca menos. Alguns se afastam por não saber o que dizer, outros por medo de que a sua dor seja contagiosa. A solidão que vem junto com a queda pode doer tanto quanto a própria queda. Ela é real, e tem saída. Esta página traz os passos práticos; se quiser a mesma dor contada como história, leia o conto Como lidar com a solidão.

O que fazer agora

  1. Peça ajuda de forma específica. "Estou mal" assusta as pessoas; "você pode me ouvir por meia hora no sábado?" ou "conhece alguém contratando?" é fácil de atender. Pedidos concretos recebem respostas concretas.
  2. Reconecte uma pessoa por semana. Um amigo antigo, um parente, um ex-colega. Uma mensagem simples basta. Relações se reconstroem aos poucos.
  3. Procure comunidades. Grupos de apoio, associações de bairro, comunidades de fé, grupos de empreendedores, projetos voluntários. Estar entre pessoas com um objetivo comum alivia a sensação de isolamento.
  4. Use os serviços que acolhem. O CRAS da sua cidade conhece grupos e serviços de convivência. A UBS e o CAPS acolhem quem está em sofrimento emocional pelo SUS.
  5. Ajude alguém. Parece contraditório, mas ajudar outra pessoa é uma das formas mais rápidas de quebrar o isolamento. Você volta a se sentir útil e conectado.
  6. Mantenha uma rotina mínima. Acordar no mesmo horário, sair de casa todo dia, nem que seja para caminhar. A solidão se aprofunda no dia sem forma.
  7. Saiba quando é urgente. Se a solidão vier com pensamentos de que seria melhor não estar vivo, ligue agora para o CVV, no 188, gratuito, 24 horas, ou use o chat em cvv.org.br. Em risco imediato, SAMU no 192.

Quando aconteceu com Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez conta que conheceu a solidão do imigrante. Nos primeiros anos no Brasil, sem documentos em mãos, viveu, nas palavras dele, nas sombras da vida, sem rumo e sem rede, longe de casa.

Mais tarde, conheceu outra solidão, a de quem enxerga antes. Quando quis levar inteligência artificial e realidade aumentada para o negócio, ouviu que não daria certo. Anos depois, a mesma coisa virou tendência. Quem vive isso de perto sabe que chegar cedo demais também é chegar sozinho.

E houve a solidão mais dura: a de ser deixado na mão por pessoas que ele tinha ajudado. Depois dela, vieram seis meses sozinho em casa, diante do computador, construindo. Só então ele deixou de estar sozinho: encontrou ajuda e conexão em três velhos conhecidos.

O caminho

A solidão da crise costuma ser uma estação, não um endereço. Na história de Bairo, ela terminou com a palavra "juntos": para quem tinha sido deixado na mão, voltar a construir em equipe foi uma reconciliação com a ideia de confiar. Abra uma porta, mesmo pequena. Alguém do outro lado também pode estar esperando por isso.

Se você mora longe da família ou chegou há pouco tempo à cidade, a solidão pode ser ainda mais funda. Procure lugares de encontro com regularidade: a mesma praça, a mesma comunidade, o mesmo grupo. Vínculos nascem da repetição, não de um encontro único. Em poucos meses, os rostos conhecidos começam a virar nomes, e os nomes começam a virar amigos.

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