Solidão
Como lidar com a solidão na crise: o que fazer agora
Peça ajuda de forma específica, procure comunidades e serviços que acolhem e cuide da rotina. Solidão intensa merece cuidado: ninguém atravessa sozinho.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
Na crise, o telefone toca menos. Alguns se afastam por não saber o que dizer, outros por medo de que a sua dor seja contagiosa. A solidão que vem junto com a queda pode doer tanto quanto a própria queda. Ela é real, e tem saída. Esta página traz os passos práticos; se quiser a mesma dor contada como história, leia o conto Como lidar com a solidão.
O que fazer agora
- Peça ajuda de forma específica. "Estou mal" assusta as pessoas; "você pode me ouvir por meia hora no sábado?" ou "conhece alguém contratando?" é fácil de atender. Pedidos concretos recebem respostas concretas.
- Reconecte uma pessoa por semana. Um amigo antigo, um parente, um ex-colega. Uma mensagem simples basta. Relações se reconstroem aos poucos.
- Procure comunidades. Grupos de apoio, associações de bairro, comunidades de fé, grupos de empreendedores, projetos voluntários. Estar entre pessoas com um objetivo comum alivia a sensação de isolamento.
- Use os serviços que acolhem. O CRAS da sua cidade conhece grupos e serviços de convivência. A UBS e o CAPS acolhem quem está em sofrimento emocional pelo SUS.
- Ajude alguém. Parece contraditório, mas ajudar outra pessoa é uma das formas mais rápidas de quebrar o isolamento. Você volta a se sentir útil e conectado.
- Mantenha uma rotina mínima. Acordar no mesmo horário, sair de casa todo dia, nem que seja para caminhar. A solidão se aprofunda no dia sem forma.
- Saiba quando é urgente. Se a solidão vier com pensamentos de que seria melhor não estar vivo, ligue agora para o CVV, no 188, gratuito, 24 horas, ou use o chat em cvv.org.br. Em risco imediato, SAMU no 192.
Quando aconteceu com Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez conta que conheceu a solidão do imigrante. Nos primeiros anos no Brasil, sem documentos em mãos, viveu, nas palavras dele, nas sombras da vida, sem rumo e sem rede, longe de casa.
Mais tarde, conheceu outra solidão, a de quem enxerga antes. Quando quis levar inteligência artificial e realidade aumentada para o negócio, ouviu que não daria certo. Anos depois, a mesma coisa virou tendência. Quem vive isso de perto sabe que chegar cedo demais também é chegar sozinho.
E houve a solidão mais dura: a de ser deixado na mão por pessoas que ele tinha ajudado. Depois dela, vieram seis meses sozinho em casa, diante do computador, construindo. Só então ele deixou de estar sozinho: encontrou ajuda e conexão em três velhos conhecidos.
O caminho
A solidão da crise costuma ser uma estação, não um endereço. Na história de Bairo, ela terminou com a palavra "juntos": para quem tinha sido deixado na mão, voltar a construir em equipe foi uma reconciliação com a ideia de confiar. Abra uma porta, mesmo pequena. Alguém do outro lado também pode estar esperando por isso.
Se você mora longe da família ou chegou há pouco tempo à cidade, a solidão pode ser ainda mais funda. Procure lugares de encontro com regularidade: a mesma praça, a mesma comunidade, o mesmo grupo. Vínculos nascem da repetição, não de um encontro único. Em poucos meses, os rostos conhecidos começam a virar nomes, e os nomes começam a virar amigos.