Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Etapa 4

O encontro com o mentor: quem te inspira a continuar

Etapa 4 da Jornada do Herói: Disney, Ford, Jobs e Senna como mentores à distância de Bairo. Como encontrar quem te inspira quando ninguém acredita.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Primeiro de outubro. Em 1971, nesse dia, os portões do Walt Disney World se abriram na Flórida. O homem que tinha sonhado aquele lugar não estava lá: Walt Disney tinha morrido em dezembro de 1966.

Conta-se que, na inauguração, alguém lamentou que Walt não tivesse vivido para ver o parque. E que Mike Vance, então diretor de criação dos estúdios, respondeu curto: "Ele viu. Por isso está aqui."

Cinquenta e cinco anos depois, em 1º de outubro de 2026, Bairo Leandro Gonzalez Martinez escolheu essa data para contar a própria história. Se pudesse falar com Walt Disney, diz ele, diria uma coisa só: seus sonhos me inspiraram.

O que é esta etapa

Na Jornada do Herói, de Joseph Campbell (1949), organizada por Christopher Vogler em doze etapas, a quarta etapa é o encontro com o mentor.

O mentor é quem dá ao herói o que falta para seguir: um conselho, uma ferramenta, um exemplo, coragem. Nos mitos, é o velho sábio. Nos filmes, o treinador, a professora, o mestre. Vogler faz uma observação libertadora: o mentor não precisa ser uma pessoa presente. Pode ser um livro, uma memória, um código interior, a história de alguém que passou pelo mesmo lugar antes.

O mentor não faz a jornada pelo herói. Ele mostra que a jornada é possível. O resto é com quem caminha.

Na vida de Bairo

Bairo não conta ter tido um padrinho que abriu portas para ele. Os mentores que ele cita estão em outra época, em outros países, em outros setores. São pessoas que ouviram "não dá", "não é possível" e "não pode", e seguiram.

Walt Disney é o primeiro, pela imagem de ver antes. O parque existia na cabeça dele antes de existir no chão.

Henry Ford é o segundo. Conta Napoleon Hill, em Pense e Enriqueça, que Ford pediu aos engenheiros um motor com os oito cilindros fundidos num bloco só. Todos disseram que era impossível. Ford mandou fazer assim mesmo. A cena dos engenheiros é de Hill; o resto é história: em 1932, o Ford V8 chegou às ruas.

Steve Jobs é o terceiro, por outro motivo. Em 1983, segundo o relato de Andy Hertzfeld, que estava na equipe do Macintosh, Jobs pediu que o computador ligasse dez segundos mais rápido. E explicou com uma conta: dez segundos, vezes milhões de pessoas, todos os dias, somavam vidas inteiras. Ele pôs vida humana dentro de um número. Essa ideia, o tempo de vida como medida, voltaria muito mais tarde no trabalho de Bairo.

Ayrton Senna é o quarto. Antes de qualquer vitória, houve uma decisão: ser o melhor. Depois dela, a coragem e a persistência. Uma frase dele, de 1989, que a revista Veja reproduziu: "Cada piloto tem o seu limite. O meu é um pouco acima do dos outros." Para Bairo, a honra é algo que vai além do tempo, e Senna é a prova.

Bairo não se compara a eles. Coloca-se na mesma linhagem como quem presta homenagem. O que ele aprendeu com esses mentores à distância não foi uma técnica. Foi uma postura: tratar o limite como ponto de partida.

Houve também mentores mais próximos e menos glamorosos. A própria dor, que ele aprenderia a usar como base. E, anos depois, no fundo do poço, os relatos e testemunhos que ouviu numa congregação cristã, de pessoas comuns que tinham atravessado o impossível. Cada mentor chegou na hora em que ele conseguia ouvi-lo.

Na sua vida

Quando você está no chão, é comum sentir que não há ninguém para te orientar. Mas o mentor de que você precisa talvez já exista, só que em outro formato.

Se você é empreendedor e quebrou, procure quem quebrou antes e se levantou. Biografias, entrevistas, gente do seu bairro. Se você é imigrante, procure quem chegou antes de você: as comunidades de imigrantes guardam um saber que nenhum manual tem. Se você está recomeçando, olhe para quem recomeçou depois dos quarenta, dos cinquenta, depois de uma doença ou de uma perda.

Perguntas para encontrar o seu mentor:

  • De quem é a história que você mais gosta de ouvir quando está desanimado? Por quê?
  • Que pessoa na sua vida já atravessou algo parecido com o que você atravessa agora?
  • O que você admira em alguém e ainda não se permitiu praticar?
  • Qual conselho você já recebeu, ignorou e hoje entende?

Três passos para esta semana

  1. Escolha três mentores à distância. Pessoas, vivas ou não, famosas ou não, que ouviram "não" e seguiram. Escreva, para cada uma, uma lição concreta que você pode aplicar.
  2. Encontre um mentor de perto. Mande uma mensagem curta e respeitosa a alguém que já passou pelo seu desafio. Peça vinte minutos, não um emprego nem dinheiro. A maioria das pessoas gosta de ser útil.
  3. Transforme a admiração em hábito. Pegue uma das lições e faça dela uma prática diária durante sete dias. Mentor que só se admira vira enfeite.

Ninguém faz a sua jornada por você. Mas ninguém precisa fazê-la sozinho.

A frase da etapa

"Quem viu antes de você não te dá o caminho. Te dá a prova de que ele existe."

Frase escrita para esta série, a partir da história de Bairo.

Próxima etapa

Etapa 5: A travessia do limiar, como começar do zero

Leia também