Bairo GonzalezLeandro · Martinez

O futuro

SOSPROCESSOS: o futuro da defesa ao alcance de todos

A visão de Bairo Gonzalez para o SOSPROCESSOS: análise jurídica com IA conduzida por advogado, para que ninguém enfrente a Justiça sem entender o caminho.

Há um tipo de medo que não tem rosto: o de receber um papel com o seu nome e não entender uma palavra do que está escrito nele.

Hoje

O SOSPROCESSOS é um sistema de análise jurídica. Ele organiza o caso, monta cenários e estratégias de defesa, estuda decisões públicas para entender como juízes e promotores costumam decidir, e reúne casos semelhantes. Também conecta pessoas a advogados no modelo que Bairo descreve como "tipo Uber": a pessoa aciona, e o advogado mais próximo e habilitado é chamado. Advogados também usam a ferramenta para prestar assessoria a escritórios, com análise, protocolo e despacho.

A regra que atravessa o desenho é a mesma de todo o ecossistema: a inteligência artificial prepara, organiza e sugere; quem conduz a defesa é o advogado. Nenhum resultado é garantido, porque nenhum processo tem resultado garantido.

A dor que ele viu

Bairo já foi o homem com medo de papel. Imigrante que ficou sem documentos em mãos ao deixar a empresa que o trouxe, viveu anos nas sombras, sem saber a quem perguntar e com medo de perguntar. Depois, como empresário, conheceu o outro lado: contratos, sócios que o tiraram do negócio, dívidas, a sensação de que a lei existe, mas fala uma língua que só alguns entendem.

O Brasil terminou 2025 com 75,5 milhões de processos em tramitação, segundo o relatório Justiça em Números do Conselho Nacional de Justiça. Atrás de cada número há alguém esperando. Muitos esperam sem entender o que estão esperando.

Bairo enxergou ali o mesmo padrão que viu no agro e na saúde. O conhecimento existe. Está publicado, nas decisões, nos tribunais. Só não chega a quem precisa, no momento em que precisa, numa forma que a pessoa consiga usar.

O futuro que ele vê

2030. Ele imagina que a primeira hora depois de uma intimação deixe de ser a mais desesperada. A pessoa fotografa o documento, e o sistema explica, em linguagem simples, o que aquilo é, qual o prazo, o que costuma acontecer em casos assim. E, no mesmo gesto, chama um advogado. O advogado chega ao caso já com o mapa: decisões semelhantes, perguntas a fazer, documentos a reunir.

2040. No futuro que Bairo descreve, o advogado de uma pequena cidade tem ao seu lado a mesma capacidade de pesquisa que hoje só os grandes escritórios têm. A diferença entre uma defesa rica e uma defesa pobre diminui, não porque a máquina defenda, mas porque ela devolve ao advogado o tempo que ele gastava pesquisando, para que ele o use pensando. Bairo imagina a Justiça menos lenta não por atalhos, mas por menos trabalho repetido.

2050. No horizonte longo, ele vê um mundo em que entender os próprios direitos deixa de ser privilégio. A criança que nasceu agora talvez cresça sabendo que, diante de qualquer papel com o seu nome, existe alguém para explicar e alguém para defender. Na visão dele, a dignidade começa no direito de entender o que está acontecendo com você.

É uma visão, não uma garantia. A Justiça continua sendo feita por pessoas, e é bom que seja.

O que isso muda na vida de uma pessoa

Imagine Jefferson, de vinte e seis anos, entregador, que recebeu numa terça-feira uma intimação que não entendeu. Passou a noite em claro. Pesquisou na internet e encontrou dez respostas diferentes. Pensou em não ir. Pensou em fugir.

No futuro que Bairo imagina, Jefferson abre o aplicativo às sete da manhã. Em poucos minutos, entende do que se trata, qual é o prazo e que ele tem direito a defesa. Às nove, uma advogada do bairro liga para ele. Ela já leu o documento, já viu casos semelhantes, já sabe as três perguntas que precisa fazer. Na sexta-feira, os dois estão sentados frente a frente, e ele não está mais sozinho.

Jefferson não ganhou nada ainda. Mas dormiu. E quem já passou uma noite inteira com medo sabe o tamanho disso.

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