Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Dívidas

Como sair das dívidas ganhando pouco?

Proteja o essencial, busque os direitos e benefícios a que tem acesso, negocie parcelas mínimas e aumente a renda aos poucos. Devagar também chega.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Os conselhos de finanças costumam esquecer de quem ganha pouco. "Corte o supérfluo" não serve quando não existe supérfluo. Esta página é para quem faz a conta todo mês e ela já não fecha antes mesmo da dívida.

O que fazer agora

  1. Proteja o essencial antes de pagar qualquer dívida. Comida, aluguel, água, luz, gás, remédio, transporte para trabalhar. Isso não é desculpa; é a lei reconhecendo o "mínimo existencial" (Lei 14.181/2021). Credor nenhum tem direito à comida da sua casa.
  2. Confira se está recebendo tudo a que tem direito. Atualize o Cadastro Único no CRAS. Ele dá acesso a programas como o Bolsa Família, a Tarifa Social de Energia Elétrica e outros benefícios municipais e estaduais. Muita gente com direito não recebe por falta de cadastro.
  3. Liste as dívidas por ameaça, não por tamanho. O que pode tirar o teto ou o trabalho vem primeiro (aluguel, conta de luz, prestação da moto de quem trabalha com ela). Depois, as que crescem mais rápido (cartão e cheque especial).
  4. Negocie parcelas pequenas e reais. Credor prefere receber pouco a não receber nada. Diga com franqueza quanto você pode. No Serasa Limpa Nome e nos feirões de negociação, dívidas antigas costumam ter descontos altos. Para pessoas físicas, existe o Desenrola Brasil 3.0 (MP 1.393, de 25/09/2026), com regras próprias: confira as condições em gov.br e veja se a sua dívida entra. Para empresas, o Novo Desenrola da MP 1.355 perdeu a validade em 08/09/2026.
  5. Aumente a renda aos poucos, sem arriscar o pouco que tem. Um serviço no fim de semana, venda de algo que você já sabe fazer, um curso gratuito (Senai, Senac, Sebrae, institutos federais) que melhore a próxima vaga. Evite "oportunidades" que pedem dinheiro adiantado.
  6. Não troque dívida por dívida mais cara. Fuja de empréstimo fácil por aplicativo desconhecido e de agiota. O que parece alívio vira armadilha.
  7. Procure ajuda gratuita. Procon e Defensoria Pública orientam e fazem conciliação de superendividamento. Se a angústia apertar, CVV no 188.

Quando aconteceu com Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez conta que recomeçou com quase nada. Quando ficou sem documentos em mãos, logo nos primeiros anos no Brasil, viveu na sombra, como tantos imigrantes, sem rede e sem rumo. Depois recomeçou com o que tinha: a companheira, a filha recém-nascida e um salão de bairro.

Não deu tão certo quanto eles queriam, mas deu muito certo de outro jeito. Do salão saiu um curso de tratamentos capilares; do curso, anos depois, uma marca própria. Ninguém pulou etapas. Cada passo pequeno pagou o seguinte.

Ele resume aquele tempo numa frase: o sol é para todos, mas a sombra, no calor, é para poucos.

O caminho

Sair das dívidas ganhando pouco é mais lento, e não é menos digno. É como subir uma ladeira a pé: você não vê o topo, mas vê o próximo passo. A história de Bairo começa no zero, com o que estava à mão. A sua também pode recomeçar assim: com o essencial protegido, um acordo que cabe e uma renda que cresce um pouco de cada vez.

Leia também