Sociedade e traição
Como escolher um sócio depois de uma decepção?
Não feche a porta para parcerias: use a ferida como critério. Valores iguais, histórico conferido, teste em pequeno e tudo por escrito, inclusive a saída.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
Depois de ser decepcionado por um sócio, a tentação é jurar que nunca mais vai dividir um negócio com ninguém. É compreensível. Mas construir sozinho tem limite, e a decepção, bem usada, é o melhor filtro que você vai ter para escolher com quem seguir.
O que fazer agora
- Procure valores iguais e habilidades diferentes. Vocês precisam concordar sobre ética, dinheiro, ritmo de trabalho e o que fazer em crise. E precisam se completar no que sabem fazer. Dois sócios iguais em tudo dobram os pontos cegos.
- Conheça a história da pessoa. Como ela agiu em sociedades anteriores? Como trata funcionários, fornecedores, ex-parceiros? Converse com quem já trabalhou com ela.
- Teste em pequeno antes de casar. Um projeto curto juntos, uma parceria pontual, alguns meses de trabalho lado a lado. A rotina mostra o que a conversa esconde.
- Escreva tudo antes de começar. Contrato social bem feito e, se possível, um acordo de sócios que defina: quem faz o quê, quanto cada um investe, como são as retiradas, quem decide o quê, como se resolve um impasse e, principalmente, como alguém sai.
- Defina a saída enquanto todos são amigos. É muito mais fácil combinar o divórcio no dia do casamento. Regras de saída, cálculo de haveres e não concorrência evitam guerras futuras.
- Separe amizade de sociedade. Amigos podem ser ótimos sócios, desde que tratem a sociedade com a mesma seriedade que teriam com um estranho.
- Consulte um advogado e um contador. O custo de um bom contrato é pequeno perto do custo de um litígio.
Quando aconteceu com Bairo
A trajetória de Bairo Leandro Gonzalez Martinez tem duas lições caras sobre sócios. Na primeira, os sócios o tiraram de uma marca de cosméticos que ajudou a construir, quando ele quis levar tecnologia de toque ao negócio. Na segunda, conta ele, entrou como sócio investidor numa empresa que não era o que parecia, e ela não se sustentou.
Ele conta que, olhando para trás, cada tentativa deixou alguma coisa. Os sócios deixaram a lição mais cara: escolher com quem se constrói.
Anos depois, após seis meses construindo sozinho, ele voltou a construir em equipe. Encontrou ajuda e conexão em três velhos conhecidos, e os quatro se uniram para continuar, finalizar e elevar juntos o que ele tinha começado. Gente que ele conhecia havia tempo.
O caminho
Para Bairo, a palavra "juntos" não é detalhe. É reconciliação com a ideia de equipe. Escolha sócios como quem escolhe com quem vai atravessar a pior tempestade da vida, porque é exatamente isso que vai acontecer. Valores, história, teste, contrato. Nessa ordem.
Confiar de novo não é fechar os olhos; é abri-los melhor. A decepção ensinou onde olhar: no histórico, na forma como a pessoa lida com dinheiro, no que ela faz quando as coisas apertam. Use esse olhar com serenidade, sem desconfiança paranoica. Parcerias saudáveis existem, e muitas das melhores nascem depois de alguém ter aprendido, do jeito difícil, o que não aceitar.