Tempo
Como recuperar o tempo perdido?
O tempo que passou não volta, mas o que ele ensinou fica. Pare de contar anos perdidos e proteja as próximas horas como o bem mais caro.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
Anos num emprego errado, num negócio que não deu, numa relação que acabou, num período escuro da vida. Olhar para trás e ver tempo "perdido" dói, porque tempo é a única coisa que não se compra de volta. Mas há uma forma de olhar para isso que devolve o poder a você.
O que fazer agora
- Aceite que o passado não volta, e que ele não foi inteiramente perdido. Faça uma lista do que aqueles anos ensinaram: habilidades, pessoas, o que você não quer mais. Quase nenhum tempo é totalmente perdido; ele costuma virar experiência.
- Pare de contar o que passou. "Perdi dez anos" é uma frase que rouba também o presente. Troque por: "o que eu faço com os próximos dez?"
- Descubra para onde vão as suas horas hoje. Anote por uma semana como você gasta o tempo. Muita gente se surpreende com quantas horas vão para telas, preocupação e tarefas que não importam.
- Escolha uma prioridade. Quem tenta recuperar tudo ao mesmo tempo não recupera nada. Escolha a área que mais importa agora (saúde, família, trabalho, estudo) e dê a ela as melhores horas do dia.
- Proteja o tempo como protege o dinheiro. Diga não ao que não importa, marque compromissos consigo mesmo e cumpra.
- Use o que a experiência te deu. Quem viveu mais erra menos em certas coisas. Esse é o atalho que os anos "perdidos" oferecem.
- Cuidado com o arrependimento que vira tristeza permanente. Se a sensação de ter desperdiçado a vida está pesando todo dia, converse com alguém; procure a UBS ou o CAPS. O CVV atende no 188.
Quando aconteceu com Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez passou anos que poderia chamar de perdidos: o tempo na sombra, sem documentos em mãos, nos primeiros anos no Brasil; a ideia de inteligência artificial da qual desistiu cedo demais; os negócios dos quais foi tirado; o investimento que não se sustentou.
Ele não os chama assim. Ele diz que cada tentativa deixou alguma coisa: método, olho para o futuro, a prova de que sabia criar do nada, a lição sobre com quem construir, a coragem de fazer o que não sabia. A tentativa que deu certo, diz ele, foi a que tinha todas as outras dentro dela.
E o tempo virou o centro do que ele constrói. Bairo gosta de lembrar uma história contada por Andy Hertzfeld, engenheiro do Macintosh: em 1983, Steve Jobs pediu que o computador ligasse mais rápido e fez uma conta. Dez segundos a menos, vezes milhões de pessoas ligando o Mac todos os dias, somavam vidas inteiras. Para Bairo, tempo de vida é a medida de tudo.
O caminho
Não dá para recuperar as horas que passaram. Dá para fazer com que as próximas valham mais, justamente por causa das que passaram. Bairo transformou anos difíceis em matéria-prima. Você pode fazer o mesmo: aceitar o que foi, aproveitar o que ficou e proteger, como o bem mais caro que existe, o tempo que ainda está à sua frente.